
A priori, é de suma importância ressaltar como o leite materno é produzido desde do período gestacional até o período de amamentação após o parto. Dessa forma, os hormônios possuem um papel fundamental na preparação do organismo materno para a amamentação. Assim, dois hormônios principais para que isso ocorra são a Prolactina e a Ocitocina. A prolactina, é secretada pela Adenohipófise que estimula o tecido glandular da mama e faz com que o mesmo inicie a produção de leite materno. Isto ocorre do último trimestre de gestação e perdura todo o período de lactação do bebê. Já, a ocitocina é secretada pela Neurohipófise que é responsável pela “descida” e ejeção do leite.
Além disso, o processo de amamentação é um processo complexo, que envolve componentes hormonais, emocionais e nutricionais. Para amamentar, é importante que a mãe esteja em condições fisiológicas de saúde e em estado psicológico equilibrado, tendo como finalidade proporcionar uma alimentação farta e saudável. Desse modo, o leite materno é composto por diversos componentes, como por exemplo, consiste principalmente de água, gordura, proteínas, vitaminas, sais minerais, enzimas digestivas e hormônios, sendo rico em anticorpos maternos e possuindo propriedades anti-infecciosas.
Do mesmo modo, o processo de produção e de ejeção de leite são processos contínuos, que dependem da ação de estímulos neuro-hormonais. A sucção do mamilo materno promove estimulação de receptores neurais que desencadeiam uma secreção hormonal para produção de leite. Desta forma, pode-se afirmar que quanto maior o período e a frequência em que for realizada a sucção, maior quantidade de leite será produzida. Logo, a mãe não deverá preocupar-se, pois o leite será produzido de acordo com a demanda que o bebê necessita, com um ajuste fisiológico entre o lactente e o lactante.
Ademais, o leite de fórmula infantil é usado por muitas mães que em alguns casos não possuem tempo suficiente para estar amamentando todo o tempo, como exemplo, a expiração da licença de maternidade, ou que não conseguem amamentar devido algum problema na produção ou na ejeção do leite. Assim, é notório que se compararmos o leite materno e o leite de fórmula infantil, o leite materno possui muito mais componentes que o recém nascido necessita para o seu crescimento e desenvolvimento do que o leite de fórmula infantil, já que o de fórmula é composto por basicamente gorduras, proteínas, vitaminas e minerais, diferente do leite materno que possui além desses citados a cima hormônios para o crescimento e desenvolvimento do bebê, anticorpos, substâncias anti-inflamatórias, células-tronco, microRNA e entre outros.
Todavia, a fórmula é um leite a base de nutrientes geralmente de vaca ou de cabra, em que as indústrias fizeram modificações, retirando partes de alguns nutrientes que estão em excesso e acrescentando alguns que estão em falta, tendo o leite materno como modelo. Em relação aos leites sem essas modificações e adequações para o bebê, a fórmula é um leite mais seguro, entretanto não chega nem perto da segurança e qualidade do leite materno que é conhecido como “padrão ouro de alimentação”. A fórmula infantil não contem anticorpos e nem células de defesa que funcionem no ser humano, diferente do que ocorre no leite materno, que traz grande proteção. Sendo assim, a fórmula não é capaz trazer essa proteção tão importante aos bebês, que naturalmente nascem com dificuldade de se defender das infecções até por volta dos 2 anos de vida, principalmente os prematuros. Os anticorpos e células de defesa que estão presentes nas fórmulas (de vaca ou cabra) só funcionam nos bezerros e cabritos, não tendo qualquer efeito de proteção para os nossos bebês humanos.
Portanto, sabe-se que a amamentação representa importante mecanismo para o crescimento e desenvolvimento do sistema estomatognático. As funções de sucção, mastigação, deglutição, fonação e estética são significativamente favorecidas pelo aleitamento materno. A amamentação favorece o estabelecimento de padrão respiratório nasal, o que contribui de maneira significativa para o crescimento do terço médio da face, promovendo a harmonia no desenvolvimento craniofacial da criança. Ainda, o aleitamento materno é uma forma de fortalecimento do vínculo mãe e bebê, contribuindo para a construção de uma relação de amor e de afeto desde os primeiros meses de vida. Contudo, as mães, que por algum motivo não puderam ou não conseguiram amamentar seus filhos, não devem de forma alguma se sentir menos mães ou culpadas por isso, já que amor de mãe sempre será o mesmo com ou sem amamentação, pois amor não se mede. Nesses casos, a recomendação da Sociedade Brasileira de Pediatria é que a fórmula seja utilizada, ao invés de leites comuns, sempre com orientação do pediatra e conforme as necessidades que o bebê necessita ao longo do seu crescimento e desenvolvimento.
Redigido por: Thamires Caldatto
FONTES:
https://www.bbc.com/portuguese/geral-61932260
https://catracalivre.com.br/saude-bem-estar/leite-materno-composicao/
Livro: Fisiologia – Base para o diagnóstico clínico e laboratorial – 2° edição. Autores: Casimiro Cabrera Peralta, Marilia Abud. De Cabrera, Rossana Abud, Cabrera Rosa e Roseliz Abud. Cabrera Vuolo.